sexta-feira, 29 de agosto de 2008

UMA OPINIÃO DE PESO!!!!

O ATOR
Por mais que as cuentras e inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro ou cínico o suficiente para ele permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu na sua vida.
Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer de forma a atingí-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição e que por desencanto ou medo se sujeita, e inquietá-lo  e comovê-lo para as lutas comuns de libertação.
Os atores tem esse dom. Eles tem o talento de atingir as pessoas nos pontos onde não existe defesa.
Os atores, eles, e não os diretores e autores, tem esse dom. Por isso o artista de teatro é o ator. O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor do teatro é bom na medida em que se escreve peças que dão margens a grandes interpretações dos atores. Mas o ator tem que se conscientizar de que é um cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. O ator tem que saber que, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios.
É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor das personalidades de suas personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que o ser humano não tem instinto e sensibilidade padronizados, como os hipócritas em seus códigos de ética pretendem.
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ato no desespero de sua insegurança, quando ele como que viajando solitário sem a bússola da fé ou da ideologia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente procurando no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano, reprimido, violentado.
Eu amo o ator que se empresta inteiro para expor para a platéia os alcijões de alma humana, com a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor.
Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter não é o dinheiro, mas são os aplausos - é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza.
Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica.

PLÍNIO MARCOS

domingo, 24 de agosto de 2008

"INTO THE WILD"

Outro lindo filme..., risos, lágrimas e muita reflexão.
Uma paulada em nossas convenções.

Realmente
" a felicidade só é real quando compartilhada"


AME.

sábado, 23 de agosto de 2008

FATIA DIVINA

Primeiro disse:_ sem sofrer.
e molhou o corpo na água fria;
com olhos transparentes percorreru meu estado de timidez.
(e eu dizia que não sofria disso).

Então tá, veremos juntos a
"Arquitetura da Destruição".

Estamos em outro lugar:
a pele encosta na minha e parece recontar anos.

Ainda em outro lugar :
_ sabe quando as pessoas duplicam ao invés de dividir?

E meu olhar penetra com interesse pela dúvida.
_ Intento a morte, não consigo penetrar o olhar
sem ver o lado ruim do ser humano.

Ouvi. E eu na minha insignificância: blá, blá, blá.

_ Já leu?
_ Não li.

Depois disse: _... nunca que aquele doutor saberia do que
eu estou falando, não é loucura, é somente um estado.

E essa foi a fatia divina do mistério
que mantêm vivo o desejo.




terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vale a pena ver!!!

Essa semana tive a oportunidade de ver o filme Zeitgeist, esclarecedor!!!
Na verdade nada do que a gente já não soubesse ou desconfiasse, porém,
imagem e discurso te prendem ao filme... um roteiro interessantíssimo.
Vale a pena ver e repassar.
Deixo o link http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024.
Bom filme e boa reflexão.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Combustíveis!!!

Amigos da minha arte. Combustíveis da minha necessidade de palco. Companhia boa.
Entre discussões sobre ser ator, sobre estéticas de espetáculos, sobre cinema e tv, sobre como produzir e ganhar dindin, existem aquelas conversas sobre estar apaixonado, sobre o medo de encarar um amor, sobre triangulações confusas e dolorosas, sobre família, enfim, com algumas criaturas que fazem parte das minhas projeções de arte e vida, vou abastecendo meus desejos mais bacanas sobre ser atriz e fazer teatro, cinema ou tv. Hoje, agradeço a CLEI E MANO, obrigada meus amores.


domingo, 20 de julho de 2008

estado sútil

A impernanência dos estados emocionais já não me surpreendem mais, sei bem como é.
Nessas últimas semanas, me vi entre a dor de uma possível perda, a revolta de perceber a ausência da pessoas e a busca de manter o controle sobre minhas emoções, porque caso realmente algo ruim acontecesse eu deveria estar ali, firme e forte. Afinal, essa é a imagem primeira que vêem em Luciana Holanda. Mas transitar por essas emoções, acabou que novamente apresentou um estado muito sútil de mim mesma... sou várias, sou uma, sou o que sou .

segunda-feira, 7 de julho de 2008

FOI BEM BOM!!!!!!

Estívemos em PoA com o espetáculo "a" e foi bem bom!!!! Passamos pela estrada das bruxas e incrivelmente só havia nosso carro em uma visibilidade de 10m no máximo: TENSÃO!!! Já em PoA conhecemos nosso hospedeiro, que logo nos recebeu com um banquete às 05 da matina, papo vai, papo vem, sono profundo, CANSAÇO!!! Entramos no teatro Cia das Artes, e vejam só, descobrimos que o público gaúcho é bem difícil... familiares presentes, meu muito obrigada!!!! Alguns soninhos, risos contidos, palmas e: "vocês são ótimas, um dia alguém descobre vocês" que querida né? Nós já nos encontramos, "a" é um espetáculo pra vida!!!!!! Um final de semana que no meio conseguimos encaixar uma baladinha no Ocidente, um lugar "antropológico" da noite porto alegrense (hehehe), estávamos lá ao som de Flashdance e nos divertimos um bocado, apesar do cansaço que ainda nos perseguia. Então veio a apresentação na URGS, no Dad que comemora seus 50 anos e vejam só, o "a" foi o primeiro espetáculo a se apresentar no projeto Segundas Dramáticas e ainda conseguimos um debate com o professor e crítico de teatro Edélcio Mostaço, foi ótimo, boas discussões e ainda um comentário muito interessante de Helena Mello, jornalista mestranda em teatro... enfim um excelente retorno em nossa primeira saída da ilha.
segue abaixo o comentário da Helena:


Ah....Não. Só a.

Quanto tempo depois de ver um espetáculo a gente ainda pode comentar? Fui assistir ao espetáculo “a” nas segundas-dramáticas do Departamento de Artes Dramáticas, na General Vitorino. É aberto ao público. Apareçam por lá, às 18h. Em geral, é coisa boa. E foi assim.

Entrei lá à tarde e as vi preparando o cenário. Não era sofisticado, mas, já causava certo impacto. No entanto, é quando elas encenam que aqueles panos e balões fazem sentido. A energia daqueles corpos esbarra nos tecidos e se refletem no público. Teve discussão depois. Justamente com o meu orientador, Edélcio Mostaço. Foi ele que me fez perceber que aquele tema que, para mim não causou surpresa, ainda podia provocar tanto estranhamento, principalmente, nos homens.

A peça fala do universo feminino. Bem, o assunto desperta o meu interesse há vários anos. Já li muito. Discuti muito e elas estavam ali falando de maternidade, de violência no casamento e por aí vai. Então, o que realmente me deixou de boca aberta era a forma como elas resolveram trazer tudo isso à tona. Não havia homens em cena. Eram apenas três mulheres. No entanto, elas contracenavam com seus machos invisíveis e reagiam a eles de forma intensa, natural e verdadeira.

Ontem ainda, alguém me perguntou: tu és atriz? Sempre respondo: faço teatro. Porque sei o quanto é difícil chegar aquele resultado ali que vi no palco. Tem gente que acha que fazer teatro é fazer caras e bocas e até é, mas, as caras e bocas tem que acontecer no tempo exato e do jeito certo. E foi isso que vi. Havia teatralidade, é claro! Mas, ao mesmo tempo esta tudo poderia estar acontecendo na sala da casa da gente. Tinha uma proposta lúdica, mas, que nem por isso era leve ou divertida. Lembra um pouco aquela música do boi da cara preta que “pega esta criança que tem medo de careta”. Ou seja, mais assusta do que faz rir.

Minha colega de mestrado, Maria Amélia Netto, foi a última a fazer o seu monólogo e isso me gerou forte expectativa, pois, as anteriores haviam sido incríveis. Mas, o bom é isso. As três têm o mesmo nível de atuação: alto, eu diria, e isso só pode dar bom resultado. Luciana Holanda, Marina Monteiro e Maria Amélia dirigidas por Cleistenes Grött e Meire Silva. Elas partiram do texto de Dario Fo e Franca Rame, mas, fizeram entrevistas com muitas mulheres, saíram a campo para elaborar a peça e introduziram coisas que fizeram o espetáculo se tornar bem interessante mesmo para mim que por ter nascido feminina sabia exatamente do que elas estavam falando desde que Rita Lee cantava: “mulher é bixo esquisito, todo mês sangra!” Mas, vejam, isso não diminui em nada este espetáculo que é sensível e contundente ao mesmo tempo.

Jornalista Helena Mello
mestranda em teatro pela UFRGS

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ouroboro no FAM 2008


Estamos muito contentes com as premiações que o vídeo "Ouroboro", com direção de Maurício Antonângelo, recebeu no Fam 2008.
Vale a pena conferir o trabalho que, além de polêmico, tem imagens muito bem fotografadas
e tratadas por Bernardo Garcia.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

"a" em Porto Alegre

Espetáculo "a" em Porto Alegre

dias 28 e 29 de junho - 20 horas
COMPANHIA DE ARTE
Rua das Andradas, 1780 - Centro

e

dia 30 de junho - 18 horas
participação no projeto "Segundas Dramáticas" do DAD/UFRGS
Sala Alzirio Azevedo - Av. Salgado Filho, 340 - Centro

quarta-feira, 28 de maio de 2008

um pensamento

Todo mundo sabe:
teatro não se faz sozinho,é feito de pessoas.
E estas feitas de emoções, sentimentos,
angústias e experiências.
Nunca se juntam por acaso, geralmente pessoas afins,
com mesmas perspectivas, desejos, objetivos.
As relações geralmente saõ intensas, você passa a conhecer
os parceiros de palco em sua intimidade, conhece seus vícios,
suas manias, sua beleza, sua capacidade de interagir,
de doar e de receber.
Geralmente também nasce os conflitos, os dilemas das
pessoalidades e por muitas vezes, as pessoas
se perdem no caminho.
Tudo se torna muito maior, pequenas discussões
ganham dimensão irreal, e por quê?
São amores e desamores que constroem a história
de um grupo de pessoas.
Teatro é relação.




sábado, 24 de maio de 2008

... tem que amar muitooooo!!!!

A pulsação do teatro é um alimento, um vício bom!!!!
Um caminho de transgressão saudável,
expressão pura e necessária.


"... embalando como a um filho."



"... não se deve falar demasiado, a vida espreita-nos sempre".
(Fernando Pessoa - O MARINHEIRO)
Durante cinco anos me dediquei a essa experiência, a desvendar esse texto e a criar um espetáculo que contasse um sonho.
O fiz, e agora sem mais o coração para embalar como a um filho
restou as ...

Perdão pela nostalgia!!!

uma atriz

..."Uma profissão que exige tanto, com tanta concorrência, tanta dedicação, tantas incertezas, cobranças, tantos testes e tão poucas respostas positivas...ser atriz no Brasil, hoje em dia, e sempre, foi e é uma luta. É aprender a se produzir, correr atrás de patrocínio e contratos, ouvir não, montar com o seu pouco dinheiro mesmo, escrever os textos, montar sua equipe, sua companhia, não depender tanto das respostas positivas da tv e colocar o seu caminho no teatro, onde mais se aprende. ...Apesar de todas as dificuldades e incertezas, ser atriz é o meu maior motor, minha prioridade máxima, minha vida. Teatro é como balé, só continua quem realmente ama. Eu vou sempre conitnuar. É o que escolhi pra minha vida; ganhando, perdendo, aprendendo, amando, lutando". (Nina Pêra)